<< Natação em Águas Abertas

Homem Aquático 1

O presente texto têm a intenção de discutir a relação do homem com a água e o papel da natação nesse contexto.

Algumas pessoas chegam a ter horror, pavor, sentem aversão à piscina, lagoa ou praia e outras possuem ao meio líquido em geral. Muitas das vezes o maior responsável por isso são os próprios pais/responsáveis, pois o bebê e/ou criança nunca adquiriria tal trauma/bloqueio.

Existem crianças que crescem com esse bloqueio e permanece até a fase adulta, esses indivíduos para chegarem a se reambientar ao meio líquido (pois para quem passou cerca de nove meses no ventre de uma mulher tem grande intimidade com o meio líquido). Por conseguinte, não vejo a iniciação na água como o começo de uma nova atividade, mas como um reinício, já que esta relação com o meio líquido foi, de fato, iniciada no próprio útero materno, levam um maior espaço de tempo.

Conseqüentemente sua relação com a água fica bastante prejudicada, assim dificultando o seu domínio aquático e seu aprendizado para os quatro nados convencionais de natação, contudo, estas reações podem ser estimuladas dentro da situação de controle que é uma natação bem orientada, no sentido de remover bloqueios profundamente estruturados, que as vezes necessita da ajuda de profissionais da psicologia para removê-los.

Sob o ponto de vista social, que é realmente triste observar, pessoas acabrunhadas nas bordas das piscinas ou nas areias da praia por não poderem participar da alegria e do prazer, daqueles que se envolvem com o ambiente aquático sem maiores problemas, uns com técnica, outros sem técnica, mas ambos participando da alegria de estar totalmente envolvidos em um meio líquido.

Esse fato desagradável deve ser altamente combatido por todos, principalmente pelos profissionais aquáticos, pois sabemos que a origem da vida no nosso planeta veio da água e nós somos gerados dentro de um líquido.

Durante a gestação o feto habita um mundo absolutamente peculiar, onde flutua e recebe uma insignificante influência da gravidade. Ele convive com o líquido amniótico e têm assegurado o seu livre crescimento. Este meio líquido permite-lhe movimentar-se, bem como o protege contra as pressões externas. Não há luminosidade. O embrião é alimentado sem que precise esforça-se, está abrigado das variações de temperatura, e vive em permanente atitude de passividade. Por força desta situação, a mudança para o mundo exterior é uma forte agressão.

A espontaneidade na natação, e não a consciência, é a qualidade essencial da auto-expressividade. Portanto a espontaneidade para o aprendizado da natação não precisa ser ensinada ou adquirida, pois nós já havíamos convivido cerca de nove meses em pura harmonia com esse meio líquido, chamado amniótico.

A natação possui tal importância na cultura humana que, Platão escreveu a lei 689, mostrando a importância conferida à natação na escala de valores, que dizia: “Cidadão educado é aquele que sabe ler e nadar”.

Em 1930, Mead escreveu que: “O andar seguro em terra e a natação vêm quase juntos, de modo que o encantamento que é recitado para uma particularidade diz que: não tenha outro filho até que este possa andar e nadar”.

Observem que sem dúvida, esse é o planeta para se nadar:
• Os seres vivos têm seus organismos compostos por 2/3 de água;
• 75% do planeta Terra é composto de água e 75% do nosso corpo também;
• 97,5% da água disponível é salgada e está em oceanos e mares;
• Os sais minerais encontrados no nosso sangue, assim como aqueles encontrados no líquido amniótico, ambos possuem a mesma composição da água do mar, guardadas as devidas proporções percentuais;
• Será que somos mamíferos com características anfíbias? Por exemplo: os rins, o baço, as membranas entre os dedos das mãos, sendo resquícios físicos do tempo da pré-história.

Segundo Pável (1992), “A água parece constituir-se em um arquétipo humano. Baseado neste pressuposto trabalha-se analiticamente água e o homem no meio líquido, levantando as representações simbólicas, os benefícios e os comportamentos que esse meio parece proporcionar ao homem. A natação, por constituir-se em uma das formas mais comuns de relação do homem com a água (talvez uma das mais antigas formas culturais), acaba recebendo destaque”.

A verdadeira idade de iniciação do bebê na natação é antes mesmo do nascimento, ainda na barriga da mãe. A atividade física suave na água é recomendada às gestantes pelos médicos, pois trás inúmeros benefícios tanto para a mãe como para seu bebê. Em geral, as gestantes estão liberadas pelos médicos para uma atividade física na água após o terceiro mês de gestação.

Após o nascimento, a idade ideal para se reiniciar o convívio aquático é após a cicatrização do umbigo (aproximadamente 10 dias). Esse retorno deve ser feito em casa, no aconchego do lar com seus familiares, iniciado na banheira ou no chuveiro. O ambiente deve ter uma temperatura agradável, queda fraca da água, sem ruídos fortes, para não assustar o pequenino.

O bebê deve sentir segurança, tranqüilidade e carinho, no colo da mãe (pai), deixar a água molhar os pés do bebê, depois o tronco, num movimento de balanço, repetir mais ou menos 4 vezes. Apoiando com uma das mãos a cabeça, lentamente deixar cair por 1seg. escorrer água no rosto do bebê, retirá-lo lentamente, executar mais ou menos 4 vezes com intervalos, para que possa respirar, pois em baixo do chuveiro ele bloqueia automaticamente a respiração (reflexo da glote).

Segundo Piaget (1952), “Na criança, desenvolvimento é fruto de motricidade, sendo a natação uma atividade física compatível com o bebê, e a ele deve-se oferecer oportunidade de desenvolver-se integralmente”.

Portanto, a prática sistemática da natação e da natação em águas abertas quando bem administradas e planejadas nos darão melhores condições, independente da idade, condições de voltarmos ao nosso habitat natural. Dessa forma, podemos sentir as sensações agradáveis de segurança e tranquilidade que sentíamos quando ainda estávamos dentro da barriga de nossas mães.

Os exercícios aquáticos são estímulos para nosso conhecimento corporal, consequentemente desenvolvem nosso domínio aquático e melhoram nosso aprendizado e refinam nossa técnica.

A natação e a natação em águas abertas são duas modalidades que vão além de uma prática esportiva seja ela competitiva, de aprendizagem, em forma de lazer, preventiva ou terapêutica. Ela nos transforma no verdadeiro – homem aquático.

Bibliografia:
SOUZA, Laércio Clayton Rodrigues de; Apostila da disciplina: Metodologia do Ensino da Natação I. FAMETRO – Faculdade Metropolitana de Fortaleza/UVA – Universidade do Vale do Acaraú. Fortaleza-CE. 2008.


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