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Homem Aquático 2

Desfavorecido pela natureza, em relação aos animais mamíferos, o homem necessita passar por um processo de readaptação ao meio líquido até a habilidade de nadar. Os mamíferos nadam ao nascer porque quando andam, correm ou nadam, mantém o centro de gravidade (CG) concordando com o de flutuação. Além disso, os movimentos feitos com as patas são idênticos aos utilizados para nadar. Para aprender nadar, o homem passa por uma série de mudanças.

A especificidade do meio líquido requer uma movimentação diferente dos movimentos utilizados no meio terrestre. Água e ar são meios fluidos diferentes e essas características diferenciais precisam ser consideradas para uma eficiência total na habilidade de nadar. O homem, além de modificar sua posição (da vertical para horizontal), utiliza movimentos diferentes para nadar, andar ou correr. O homem desloca-se com movimentos de pernas e equilibra-se com movimentos de braços ao andar ou correr, invertendo-se os papéis ao nadar. A posição da cabeça para a respiração também é desfavorável ao homem. O fato de raciocinar, sentir o perigo, é outra dificuldade a ser vencida pelo homem para nadar. Essas diferenças incluem as demandas para superar as dificuldades que o homem encontra ao se defrontar com o meio líquido. Mas mesmo com todas essas adversidades citadas acima, o homem nasce nadando e totalmente adaptado e ambientado com a água, isso se deve aos nove meses no ventre de sua mãe, daí essa grande intimidade com o meio líquido.

Essa característica humana começou a ser estudada em 1939, na Austrália, onde a Profa. Mirtha Mc Craw demonstrou que bebês de dez dias conseguiam realizar movimentos rítmicos na água. Em 1960 na Rússia, o Dr. Igor Tiarkovski, foi o pioneiro no parto dentro d’água e pesquisas com bebês, onde se provou que o ser humano nasce totalmente adaptado ao meio liquido, nadando de uma forma natural e com os olhos abertos, igual aos animais mamíferos. Nessa década de 60, surgiram outros trabalhos, na Alemanha os Profs. Lothan Bresges e Liselott Diem, realizaram estudos com bebês à partir de oito semanas de idade. Mas tarde em 1991 o inglês Dr. Michel Odent, fez novas pesquisas e estudos com mulheres grávidas, bebês e principalmente com a íntima relação do ser humano com a água. Dessa forma, para dar melhores condições de readaptação à água, deve-se propor a criação de ajustamentos necessários a um meio que já é mais que natural ao ser humano, possibilitando a formação do verdadeiro “Homem Aquático”.

Quem pretenda aprender nadar, terá antes, de se readaptar a esse meio líquido, já que somos afastados do convívio desse meio após o nascimento, sendo adaptado ao meio terrestre. A movimentação nesse meio aquático processa-se com o corpo na horizontal diferente dos movimentos que lhe dão a locomoção em terra. Isto significa que o principiante terá de adquirir uma nova experiência motora, complemente diferente da que desenvolveu até então no decurso de sua vida. A falta de apoio sólido implica no desenvolvimento de novas estratégias de comportamentos motores.

O meio líquido constitui-se um ambiente que possibilita uma variedade de movimentação, devido à inibição ou minimização da força de gravidade e à ação da força de empuxo que o corpo sofre ao ser imerso neste meio. As características ambientais do meio líquido, que incluem as relações aprendiz-meio ambiente, diferem daquelas presentes em uma situação em que o corpo se movimenta sobre uma superfície rígida (o solo) num ambiente sujeito apenas à influência do ar (Costa, 1995).

As condições de comportamento na água, na medida em que são diferentes das que se processam a permanência e a movimentação em terra, requerem a criação de novos reflexos relativamente à ação das forças exteriores (gravidade, resistência da água, atrito, sucção) do mesmo modo que estes foram desenvolvidos, através de um moroso processo, para se conseguirem os movimentos em terra. De igual modo, o principiante terá de aprender a dominar reflexos não condicionados, tais como o reflexo de labirinto e o reflexo de posição, que provocam no aparelho vestibular contrações da musculatura do pescoço para que a cabeça se mantenha ereta. Além disso, deve ser dominado o reflexo das pálpebras que, normalmente, leva a que se fechem os olhos, em reação ao menor estímulo para os proteger. Como o nadador tem de se orientar debaixo d’água, este reflexo deverá ser substituído por um reflexo condicionado, que lhe permitirá abrir os olhos. A respiração em natação é essencialmente diferente da respiração em terra. A expiração é feita no meio aquático, obrigando a vencer a resistência da água; conseqüentemente, o momento expiratório é bastante longo, relativamente ao momento inspiratório que é breve.

É esta a razão essencial pela qual a inspiração se faz pela boca. Os movimentos de braços condicionam a “localização” da inspiração, obrigando a uma coordenação difícil de aprender. O fato de serem necessários movimentos da cabeça para respirar ainda torna mais difícil esta coordenação. Os seja, nas atividades aquáticas nos são solicitados os canais exteroceptivos, proprioceptivos e interoceptivos em diversos níveis. Estes canais permitem ao individuo captar os estímulos advindos do meio ambiente, definir a posição de seu corpo no espaço, a posição dos segmentos em relação ao corpo, o nível de tensão e tônus, o equilíbrio, além de fornecer informações sobre as necessidades deste corpo.

Essa possibilidade de perceber o seu próprio corpo durante os movimentos na água parece ser melhorada pelo refinamento das informações obtidas pelos proprioceptores. Sendo assim, a tendência atual é de que os exercícios de natação deixem de ser essencialmente mecânicos e voltem-se para exercícios aquáticos para o desenvolvimento e refinamento da propriocepcão e pressorcepção, pois as sensações de contato, pressão e temperatura têm um papel relevante e uma adaptação do aprendiz se faz necessária.

Bibliografia:
SOUZA, Laércio Clayton Rodrigues de; Apostila da disciplina: Metodologia do Ensino da Natação I. FAMETRO – Faculdade Metropolitana de Fortaleza/UVA – Universidade do Vale do Acaraú. Fortaleza-CE. 2008.


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